Table of Contents
Paris-Roubaix e uma esticada mais.
Depois de pedalarmos entre Milão e Estrasburgo, tomamos um ônibus de 6 horas com destino a Paris, cidade na qual em 2016 terminei uma outra cicloviagem (que havia começado em Barcelona), e de lá seguimos com nosso plano de pedalar até Amsterdã, passando por trechos da icônica prova de ciclismo Paris–Roubaix, o Inferno do Norte.
A prova na verdade tem largada na cidade de Compiègne (não em Paris) e passa por diversos e famosos setores de paralelepípedo que vão unindo pequenas cidades do interior da França, até chegar bem próximo da divisa com a Bélgica. Ter a experiência de pedalar pela região e imaginar como deve ser o sofrimento dessa prova vale muito a pena para quem gosta de ciclismo.
Não seguimos a rota da prova 100% do tempo, pois ela muda um pouco de ano pra ano e porque precisávamos adequar às nossas paradas, pontos de interesse etc. No nosso caso, "encerramos" em Lille, não em Roubaix. Foi ótimo, pois Lille foi uma agradabilíssima surpresa no nosso percurso, fizemos um grande amigo por lá e gostamos muito da cidade.
- 612,4 km
- 3.544 m de subida
- 174 m no ponto mais alto
Passe o dedo no gráfico pra percorrer o caminho. Ver no Ride with GPS


Passamos 4 dias turistando em Paris antes de começarmos a pedalar.




Versailles.

Logo após nossa saída, passamos pelo Parque Floresta Nacional de la Poudrerie de Sevran Livry.




Descanso em Saint-Simon e camping no quintal de um Warm Shower em Saint-Quentin.



Início de um dos trechos da Paris-Roubaix.








Os setores de paralelepípedo tem nomes e algumas vezes são em homanagem a história de alguns ciclistas, com direito a um pequeno memorial, como estes.




Um dos setores mais famosos e duros, Trouée d'Arenberg.





Frazou, francês gente finíssima que nos hospedou em Lille. Fez questão de nos levar pra dar rolê em um dos seus Citroëns antigos e nos mostrar a cidade.

De maneira resumida, de Lille seguimos viagem cruzando a Bélgica pela região de Flandres Ocidental, com destaque para Brugge, cidade histórica medieval que é a capital da província e valeu muito a pena visitar.
Em seguida, entramos na Holanda pela costa do Mar do Norte, com longos trechos planos e muito vento na cara. A paisagem em si não é impressionante, mas particularmente nós gostamos bastante não só do visual (é uma praia absolutamente diferente das que estamos acostumados no Brasil), mas principalmente das pequenas cidades, dos holandeses (os que conhecemos e trocamos ideia foram muito simpáticos) e da comida. Sem falar, é claro, na absurda estrutura cicloviária que existente no país: invejável demais.
Finalmente, saímos um pouco da costa e pelas estradinhas também planas do interior alcançamos Amsterdã, nosso destino final nesta rota. Pra quem pira no universo ciclístico e vive na América Latina (como nós), a cidade dispensa comentários, é tanta bike pra todo lado que parece outro planeta.

Arquitetura típica das fachadas na região de Flandres, Bélgica.






Canais e ruas de Brugge.


Retas e planos intermináveis pelo interior da Holanda. As árvores são todas inclinadas pro lado por causa do vento quase constante.








Ciclovias e mais ciclovias em frente ao Mar do Norte.













Muito comum encontrar todo tipo de abóboras em frente as casa no interior da Holanda.




Amsterdã.


Famosas casinhas e canais da cidade.








Holanda talvez tenha sido o país onde mais comemos na rua: torta de maçã, bata frita com maionese (típicos de lá), peixe frito, arenque cru (haring - que esqueci de fotografar), bossche bol e s̶p̶a̶c̶e̶ ̶m̶u̶f̶f̶i̶n̶.

A quilometragem total ficou em 610km e foi feita em 9 dias: 4 de pedal, 1 de descanso e mais 4 de pedal. As hospedagens foram divididas em 7 noites com Warm Showers e 2 noites em camping pago.
95% de todo o caminho é em asfalto (ou paralelepípedo) e pode ser pedalado praticamente com qualquer tipo de bicicleta, de maneira autossuficiente (como no nosso caso, com equipamento completo de camping e cozinha) ou não, pois existe fácil acesso a locais para pernoitar, comida e água potável em abundância.

Notas:
- Para boa parte desta rota nos baseamos na EuroVelo (em especial a 12 "North Sea Cycle Route"). Vale a pena pesquisar um pouco sobre todas elas antes de pedalar pela Europa.
- Um muitíssimo obrigado a todas as pessoas que nos receberam e hospedaram nesse rolê! A viagem não seria nem metade do que foi sem vocês.
