Milão, Zurique e Estrasburgo.
Pegamos um vôo do Brasil direto para Milão e, após alguns dias nos organizando e organizando toda a tralha da viagem, começamos a pedalar no dia 29/06/2019. Levamos 23 dias para completar os 760km de percurso, sendo 14 dias de pedal e 9 dias parados para descansarmos e conhecermos melhor as cidades.
Com um total de 7.150m acumulados de subida, 95% de todo o caminho é em asfalto e pode ser pedalado praticamente com qualquer tipo de bicicleta, de maneira autossuficiente (como no nosso caso, com equipamento completo de camping e cozinha) ou não, pois existe fácil acesso a locais para pernoitar, comida e água potável em abundância.
Nossas paradas se dividiram em seis noites de camping (pagos), quatorze em Warm Showers, duas estadias em hotéis e uma em hostel.
- 759,8 km
- 7.150 m de subida
- 2.392 m no ponto mais alto
Passe o dedo no gráfico pra percorrer o caminho. Ver no Ride with GPS

Bikes desencaixotadas e montadas no aeroporto de Milão. Fomos pedalando de lá para o local onde ficaríamos por uns dias na cidade.


Rolê por Milão antes de começarmos a pedalar.






Rossignoli, em Milão. Fundada logo após o final da segunda guerra mundial, esse bicicletaria funciona no mesmo local e é mantida pela mesma família até hoje.




Primeiras descidas e primeira vista das montanhas.




Fazendo amigos pelo caminho.

Cruzando os Alpes.
O primeiro trecho, Milão - Zurich, de paisagens mais impressionantes, foi também o mais complicado com relação à altimetria. Cruzamos os Alpes Suíços através do lendário passo São Gotardo: 895m em 12km, com 8% de inclinação média, muitos cotovelos e um visual estarrecedor. Seus últimos 5km são em paralelepipedo (em otimas condições), aumentando ainda mais o nível de "epicidade" do rolê.
Antes de chegar até lá, tivemos aproximadamente 250km de estradas secundárias pelo interior da Itália e Suíça, numa escalada gradual e "constante" até Airolo, cidadezinha base para dezenas de ciclistas que pedalam pela região diariamente.
Pontos altos do trecho:
- Milão (óbvio);
- Lago del Segrino (ótimo spot para um mergulho);
- Santuario Madonna del Ghisallo: parada "obrigatória" para qualquer ciclista, essa igrejinha e um belíssimo museu ficam no topo de uma montanha e fazem parte da história do ciclismo de estrada, em especial do Giro d'Italia e do Giro di Lombardia. Vale muito a pena visitar e pesquisar um pouco sobre o local;
- Lago di Como (a rota inclui uma pequena travessia de barco neste ponto);
- Lugano e o Lago di Lugano;
- Diversas cidadezinhas e vilarejos (coma tudo que você puder, vale a pena).


Vales pelo caminho.





Lago del Segrino; Lago di Lugano; Lago di Como.



Colheita de mel na casa de um Warm Showers em Valbrona, Itália.



Santuario Madonna del Ghisallo.



Tiramisù e um pouquinho de conforto em Airollo.

Passo San Gottardo - 2.106 msnm







#roadslikethese




Ospizio, sem dúvidas.









Melhores partes do dia?


Montanhas saindo de Andermatt.
Após cruzarmos os alpes e um trecho animal de descida, chegamos em Andermatt, pequena cidade encravada num vale de montanhas Suíças. Com tempo, vale a pena ficar alguns dias ali e sair da rota o quanto puder para pedalar pela região. Nós tiramos um dia para um rolê bate e volta fora da rota até o também lendário passo Furka: 11.5km, 850m, 7% de média, cotovelos, neve, vistas incríveis, descida alucinante… Tudo que se tem direito.
Seguindo caminho, foram mais ou menos 120km com muita descida até Zurique. Grande parte do tempo, em toda Suíça, pedalamos por ciclorrotas oficiais que atravessam o país. São muito bem sinalizadas e praticamente não é necessários usar o GPS, basta seguir as placas e saber para onde você quer ir: caminhos tranquilos quase sem carros, ótimo pavimento (com ou sem asfalto) e sempre passando por dentro das pequenas vilas.
Pontos altos:
- Teufelsbrücke (ou a Ponte do Diabo, logo na saída de Andermatt);
- Inúmeras vistas do rio Reuss;
- Vierwaldstättersee (ou Lago dos Quatro Cantões) e Lago de Zug;
- Zurique, claro. Para nós, uma das cidades mais legais da viagem, acabamos ficando 8 dias por lá.


Café da manhã e camping em Andermatt.




Teufelsbrücke (Ponte do Diabo) e André (a.k.a Águinha), que nos fez companhia nos primeiros 15 dias de viagem.





Antigo hotel desativado, na curva mais famosa do Passo Furka.


Moulton meets snow.

Passo Furka - 2.429 msnm



Os rios e a Alsácia.
No trecho final, Zurique - Estrasburgo, a paisagem e o rolê mudaram bastante! Acabaram as grandes montanhas e começamos um trecho de aproximadamente 300km pelo interior da Suíça e França, grande parte com poucas ou leves subidas.
Seguimos por ciclorrotas pelas margens do rio Limmat, depois rio Reno próximo a divisa com a Alemanha e entramos na França, onde pedalamos por grande parte da Alsácia francesa, região incrível e famosa por seus inúmeros vinhedos, cidadezinhas com cara medieval, culinária e cultura com bastante influência alemã: um prato cheio pra qualquer cicloviagem. Talvez pela época do ano, os lugares todos estavam muito floridos.
Por fim, infelizmente, os últimos 30km até Estrasburgo foram feitos em trem, pois a roda traseira de uma das bicicletas quebrou após um pequeno acidente e essa foi nossa melhor opção. Ao contrário do que imaginávamos, não foi tão fácil conseguir uma nova roda em Estrasburgo, então acabamos ficando por ali alguns dias até resolvermos o problema. No final foi bom, pois a cidade é dahora demais e valeu a pena.






Vinhedos e estradas pelo caminho.




Paisagens das cidadezinhas do trecho.





Plantações, plantações, plantações...



Resquícios da primavera e, não poderia faltar, uma éclair no interior da França.

Notas:
- Para boa parte desta rota nos baseamos na EuroVelo (em especial a 5 "Via Romena"). Vale a pena pesquisar um pouco sobre todas elas antes de pedalar pela Europa.
- Infelizmente a nossa câmera quebrou logo depois de Andermatt, então o trecho Zurique - Estrasburgo tem apenas fotos de celular.
- Um muitíssimo obrigado a todas as pessoas que nos receberam e hospedaram nesse rolê! A viagem não seria nem metade do que foi sem vocês.