eurolooping 2019 - parte III

pedalando entre Berlin, Praga e Viena.

By Vitor M.

Berlin, Praga e Viena.

Depois de pedalarmos por duas rotas dentro da Europa Ocidental (I, II), resolvemos explorar um pouco do eixo centro-leste do continente, passando por parte da Alemanha Oriental, República Tcheca e Áustria.

O primeiro trecho, Berlin - Praga, foi bastante tranquilo, majoritariamente plano e bastante contemplativo. Nele cruzamos inúmeras cidadezinhas do interior da Alemanha (principalmente pela região Saxônica), prato cheio para quem gosta de cultura e costumes locais misturado com um pouco de história. Além disso, grande parte do rolê foi seguindo as margens do gigante rio Elba.

  • 826,8 km
  • 6.330 m de subida
  • 707 m no ponto mais alto

Passe o dedo no gráfico pra percorrer o caminho. Ver no Ride with GPS

Pedacinho do Muro de Berlin.

Pedacinho do Muro de Berlin.

Nossas bikes e café da manhã na casa de nossa anfitriã na cidade.

Primeiros dias de pedal, saindo da capital alemã.

Principais pontos do trecho:

  • Berlin, sem dúvidas. Ficamos uns 6 dias por lá antes de começarmos o pedal;
  • Diversas estradas muito agradáveis de pedalar, com infraestrutura ótima para cicloturismo;
  • Região e cidade de Dresden;
  • Região e Parque Nacional da Suíça Saxônica, já quase na divisa entre Alemanha e Áustria. Com tempo, vale muito gastar uns dias por lá! Mais ainda pra quem também gosta de hiking e trekking. Nós fizemos um hiking de um dia por parte do parque e foi animal;
  • Cidade de Praga, por motivos óbvios. Ficamos uns 4 dias.

Camping em Zeischa e curiosos da estrada.

Mirantes no Parque Nacional da Suíça Saxônica.

Vista de uma das trilhas do parque e a Ponte Bastei, na direita da foto, construída no meio das pedras em 1851.

Vista de uma das trilhas do parque e a Ponte Bastei, na direita da foto, construída no meio das pedras em 1851.

Rio Elba e vilarejo de Rathen vistos do parque.

Rio Elba e vilarejo de Rathen vistos do parque.

#roadslikethese

#roadslikethese

Rio Moldava, já em Praga.

Palácio Schwarzenberský, Praga.

Palácio Schwarzenberský, Praga.

Seguindo viagem, o que já tínhamos notado um pouco, se confirmou por completo: a coisa muda bastante na República Tcheca. Além das coisas óbvias (como a língua tcheca, que é cabulosíssima), ser um país do leste europeu deixa a cultura, as cidades, as comidas, as pessoas etc bem diferentes. Não é apenas uma questão de claramente serem "mais pobres", mas toda a atmosfera de "país europeu" muda (o que foi positivo e bastante interessante).

Além disso, saímos do terreno plano e começamos uma sequência de sobe e desce por estradas vicinais cruzando o interior do país, assim o nível de dificuldade aumentou consideravelmente e a paisagem mudou bastante.

Destaques do trecho Praga - Viena:

  • Pequenas florestas e bosques por todo o caminho;
  • A cultura que os caras tem de comer cogumelos selvagens, que é dahora demais. Cada florestinha que passamos encontramos pessoas da região "caçando" cogumelos para comer. Tem de todos os tamanhos e cores, venenosos, alucinógenos, comestíveis etc;
  • Tábor (cidade medieval);
  • Bunkers: tem vários na região da fronteira com a Áustria e são resquícios da guerra fria (pelo que entendemos), muitos deles nem chegaram a ser usados, mas continuam por lá;
  • Região do Parque Nacional de Podyjí (vale muito passar por este trecho, apesar de ser o mais complicado com relação à altimetria);
  • Viena. Ficamos dois dias e daria pra ter ficado mais.

Pequenas ruas por Tábor.

Vários tipos de cogumelos que encontramos pelo caminho.

Casinha simpática em Maříž, República Tcheca.

Pra quem gosta de história, dentro da região do parque Podyjí fica a minúscula vila de Cízov, que tem até hoje preservada uma pequena parte da Cortina de Ferro, literalmente uma cerca elétrica gigante que dividia a Europa em Ocidental e Oriental no período pós segunda guerra mundial. É a única parte que restou da cerca que tinha 7.250km.

Atualmente existe uma rota cicloturística que se chama EuroVelo 13 "The Iron Curtain Trail", que percorre todos os países que ficavam às margens desta divisão, fazendo mais ou menos o que seria o caminho da cerca. Nós pedalamos alguns km seguindo esta rota, além de usarmos a Greenway, uma ciclorrota criada por outros cicloturistas que liga Praga e Viena usando estradas menores e de pouco tráfego.

Um dos vários bunkers abandonados pela região.

Um dos vários bunkers abandonados pela região.

O hambúrguer de beterraba mais inesperado (e salvador) do rolê e camping em Mitterretzbach, nossa primeira cidade na Áustria, após um dia exaustivo.

Último trecho antes de alcançarmos Viena.

Último trecho antes de alcançarmos Viena.

Knödel (algo como “almôndegas” a base de pão com molho branco de cogumelos - prato típico austríaco que nosso anfitrião em Viena cozinhou para nós) e rolês pela cidade.

Ao todo, gastamos 15 dias para percorrer os 825km desta rota, sendo 12 dias pedalando e 3 de "descanso". As acomodações se dividiram em 8 Warm Showers, 3 campings pagos, 1 hostel, 1 cabaninha alugada e 2 campings grátis (quintal privado com autorização do dono).

95% de todo o caminho é em asfalto e pode ser pedalado praticamente com qualquer tipo de bicicleta, de maneira autossuficiente (como no nosso caso, com equipamento completo de camping e cozinha) ou não, pois existe relativo fácil acesso a locais para pernoitar, comida e água potável.

Notas:

  • Em Stockerau, quando ainda faltavam 25km para Viena, o sol se pôs e nós preferimos pegar um trem até a cidade ao invés de pedalar de noite (embora o caminho seja facilmente pedalável pelas margens do rio Danúbio).
  • Um muitíssimo obrigado a todas as pessoas que nos receberam e hospedaram nesse rolê! A viagem não seria nem metade do que foi sem vocês.

eurolooping 2019 - outras rotas

Esta rota foi a terceira parte de uma viagem de 3 meses pela Europa, totalizando 3.000km divididos em 4 etapas. Acesse abaixo:

I - Milão - Zurique - Estrasburgo

II - Paris - Brugge - Amsterdã

III - Berlin - Praga - Viena

IV - Viena - Liubliana - Veneza

Footnotes

vmonteirosantos@gmail.com

More stories by Vitor M.