Áustria, Eslovênia e Itália.
Último dos quatro trechos da nossa viagem, este rolê pela Áustria e Eslovênia (países que não estavam nos planos iniciais) foi certamente a melhor surpresa e descoberta de todo nosso caminho.
Após alguns dias de descanso e turistagem em Viena, pegamos algumas dicas com nosso anfitrião na capital austríaca e traçamos uma rota relativamente tranquila para sair do país. Tivemos que cruzar uma grande montanha, alguns bons quilômetros de descida e, por fim, um planão com algumas subidinhas interessantes até a cidade de Celje, já na Eslovênia.
Antes de falar um pouco sobre a continuação desde Celje, uma observação: a rota que planejamos (e deixamos aqui como sugestão) foi a do primeiro mapa abaixo, mas, infelizmente, precisamos adaptar nosso cronograma (por questões de tempo e desencontros) e no final não foi exatamente isso o que pedalamos. Veja a diferença no segundo mapa:
- 868,7 km
- 6.525 m de subida
- 1.622 m no ponto mais alto
Passe o dedo no gráfico pra percorrer o caminho. Rota planejada. O trajeto que eles fizeram de verdade, com os trechos de trem e ônibus, está no Mapa 2 logo abaixo. Ver no Ride with GPS

Mapa 2: em vermelho as partes que pedalamos e em preto as partes que pegamos ônibus/trem/carona.

De Wien para Ljubljana.


Casinhas durante a travessia da nossa única montanha austríaca, Semmeringkogel.


Chegando em Celje, ficamos decididos a seguir para Liubliana e, posteriormente, para algumas partes do Parque Nacional Triglav: todos que nos davam dicas diziam que a região era imperdível e, numa coincidência muito louca, descobrimos que amigos estavam morando num povoado dentro do parque.
Conversamos com eles que, prontamente, nos convidaram a visita-los e disponibilizaram sua casa caso conseguíssemos chegar a tempo de encontra-los (pois eles sairiam também para uma viagem em poucos dias).
Assim, nossos planos começaram a mudar e então decidimos tomar um ônibus para pular 75km de pedal, indo direto para Liubliana e ganhando uns dias para ficar na cidade.
Principais pontos do trecho até então:
- Estradas vicinais bastante agradáveis por todo o percurso, algumas vezes margeando pequenos canais;
- Cenários animais na região montanhosa de Semmering, Mürzzuschlag e Kapfenberg, com vários vilarejos pequenos pelo caminho;
- A cidade de Graz (vale a pena ficar mais de um dia);
- Maribor;
- E Liubliana, a capital da Eslovênia. Nunca tínhamos ouvido falar (confesso), mas gostamos muito!






Paisagens ainda no interior da Áustria.



Campings pelo caminho.






Rolês por Liubliana, capital eslovena. Tirando a língua, que é osso, deu vontade de morar.


Carteira militar (Vojaška Knjižica) de um cara bem doidão e cheio de histórias que nos hospedou em Liubliana. Quando jovem, ele fez parte do exército da antiga República Socialista Federativa da Iugoslávia e depois lutou com os grupos rebeldes pela independência da Eslovênia. O último carimbo, com data de 1991, ano em que o país se tornou independente, já é da "Republika Slovenija".



Škofja Loka, cidadezinha simpática que paramos pelo caminho.

De Ljubljana para Venezia.
Depois de uns dias na capital, seguimos com nosso novo cronograma e pedalamos até Bled, onde as paisagens já começaram a ficar cabulosas! A cidade em si é bem turística, mas o pedal até lá passa por estradas perfeitas e não tem como não se impressionar com o famoso lago que dá nome a cidade.
Após Bled, tivemos que desviar nossa rota para a esquerda e pedalar até Bohinjska Bistrica (outro trecho lindíssimo, para nossa sorte), então pegamos um trem para Postaja e posteriormente uma carona até Kal-Koritnica, onde encontramos nossos amigos a tempo de passarmos pelo menos um dia juntos.
Foi uma pena não rodar entre Bled e Kal-Koritnica como planejado inicialmente, cruzando o passo Vršič e descendo pela estrada Trenta, famosa entre os ciclistas da região, mas no final valeu a pena, pois o outro lado também era bem bonito e foi absolutamente incrível os dias que pudermos passar descansando e conhecendo o entorno do parque.

Uma das vistas do lago Bled: castelo de Bled ao meio (construído por volta do ano de 1011 sobre um penhasco na margem do lago) e igreja de St. Martin à direita.





Trechos à caminho de Bohinjska Bistrica.



Estação onde pegamos o trem para Postaja e nosso mais novo anfitrião em Kal-Koritnica.


Fim de tarde e mar de nuvens quase no topo da Mangart, terceira montanha mais alta da Eslovênia (2.679m), bem na divisa com Itália e Áustria.









Congelando até os ossos no rio Soča. Tava um baita sol e foi impossível resistir ao mergulho, mas a água tava mais ou menos com uns 7 °C.








Fotos e mais fotos deste rio com essa água azul-verde-transparente e essa natureza em volta.




De Kal-Koritnica (ou Bovec) é possível fazer inúmeros pedais e hikings pela área do parque (além de outros esportes "radicais"). Absolutamente recomendável ficar quantos dias puder e explorar a região ao máximo. Nós ficamos 6 dias e gostaríamos de ter ficado ainda mais! O rio Soča, a natureza e as diversas montanhas no Triglav são as coisas mais fodas que cruzamos nestes 3 meses de viagem, sem dúvidas.










Vista do entardecer no cume da montanha Svinjak (+/- 2h de trilha pra chegar nos 1.653m do topo).

Enfim, após dias incríveis, seguimos nosso roteiro em direção a Itália. Escolhemos um caminho com bastante descida para sair da região do parque e cruzar a fronteira, posteriormente pedalando por cidades do interior até atingirmos a costa e seguirmos por um trajeto plano.
Todo este trecho foi bastante bonito, um pouco monótono após a fronteira, mas ficando bem mais interessante quando chegamos nas cidades litorâneas e fechado com chave de ouro na praia de Punta Sabbioni, onde fizemos nosso último camping selvagem com direito a pôr do sol, praia vazia, amigos e banho de mar com o nascer do sol no dia seguinte.
De lá o pedal acabou, tomamos um barco para Veneza, onde passamos alguns dias, depois um trem para Verona, outro para Milão e fim.





Quintal que descolamos para montar nossa barraca e banho de gato, já quase na costa italiana.



Camping oficial e em frente a praia na cidade de Caorle.



Caorle e Punta Sabbioni.


Entardecer e amanhecer em Punta Sabbioni. Juan (colombiano) e Andy (alemã), amigos que conhecemos na estrada e nos acompanharam nos últimos dias da viagem.

♥






Veneza sendo Veneza.





Nesta rota levamos 20 dias no total, com 12 de pedal e 8 de "descanso". 13 noites em Warm Showers, 3 campings pagos e 4 campings grátis (quintal privado com autorização do dono e selvagem).
95% de todo o caminho é em asfalto e pode ser pedalado praticamente com qualquer tipo de bicicleta, de maneira autossuficiente (como no nosso caso, com equipamento completo de camping e cozinha) ou não, pois existe fácil acesso a locais para pernoitar, comida e água potável em abundância.


Obrigado, grazie, merci, dank, děkuju, hvala vam!
Gostaríamos de registrar aqui um muitíssimo obrigado a todas as pessoas que nos receberam, hospedaram e cruzaram nosso caminho nesse rolê. A viagem não seria nem metade do que foi sem todos vocês! Obrigado por todas as histórias não escritas aqui.
Nota:
- Para boa parte desta rota nos baseamos na EuroVelo (em especial a 9 "Baltic - Adriatic" e a 8 "Mediterranean Route"). Vale a pena pesquisar um pouco sobre todas elas antes de pedalar pela Europa.